segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

- sobre as colheitas;


Entre alguns povos antigos, isolados, ou reunidos aos montes, festejava-se agora algo que chamou-se Lughnasadh, ou mesmo Lammas atribúido de certo significado cristão. Reconhecia-se o calor do Sol, os trigais eram abençoados pelas danças e pelos ventos. Mas antes de serem abençodas aquelas colheitas, reconheciam-se as bençãos daqueles próprios homens e mulheres que dançavam aquelas festas, abençoando-se entre si.


O que é aparentemente bobo, ou carente de qualquer lógica intelectual, pode desfazer-se como tal, rapidamente como uma vela queimando ao vento, a partir do momento em que pensamos com mais calma sobre a verdadeira motivação que leva grupos de seres humanos a dançar a um sol e agradecer por ramos de trigo crescendo as alturas. Afinal, 'pagão' sempre foi o nome daquele que era ignorante e selvagem. Será que ninguém até hoje se perguntou porque tal nomenclatura ainda é adotada entre praticantes que entendem sobre aquecimento global, lêem Shakespeare e conversam pelo computador?


Sinto muito contrariar aos evolucionistas históricos, ou mesmo aos espíritas, mas não consigo acreditar em uma noção de 'evolução' da humanidade. Não consigo perceber uma linha acsendente de inteligência quando me coloco a analisar as pessoas - e acreditem, isso nada tem a ver com a péssima formação do meu lado esquerdo do cérebro.


É engraçado como nunca nos damos conta daquilo que temos. Talvez se reconheça o valor material, como é bom possuir materialmente algo que os outros não tem; como é bom ser o que os outros não são; ou, melhor ainda, como é bom saber o que os outros não podem conhecer... mas qual o objetivo ou motivo? Porque o ser humano já não agradece ao sol por aquilo que ele dá? Seria por uma independência teológica, onde já não achamos que precisamos de deus ou deuses pra nos fornecer o que é prceciso? É provavel que sim, afinal, quase ninguém ainda precisa orar pra que seus campos sejam férteis, é só correr ao mercadinho da esquina e comprar um miojo ou uma traquinas e está tudo resolvido.


Mas acreditem meus caros, sem o Sol nenhuma colheita seria possível. E aqui já não falo mais da esfera material dos nossos dias, é evidente que sem o astro-rei nenhuma vida poderia existir. Mas falo dos sonhos, esperanças e Amores que incentivam qualquer que seja o mortal a seguir seus dias em frente. Quando um devoto tenta reconhecer o papel que um Sol pode ter em sua vida ele compreende que tudo começa com desejo e Amor, tal como um sol que é luz e calor. Depois disso, do trabalho árduo de plantar, regar e cuidar - e tentem pensar que essa é a parte mais difícil - quando vem a colheita de tudo aquilo que foi um sonho anteriormente. Da mesma forma que já deu tempo da tempestade acontecer, e destruir, pelo granizo, tudo que era velho, podre e fraco o suficiente pra não prosperar no final do verão.


Ah, bons tempos de pagãos e ignorantes em que era possível reconhecer que tudo tem o seu tempo certo, de plantar e colher, de construir e de destruir. E que nada foge à esse ciclo.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

- sobre um passado, o presente e algum futuro;



Pensando, pensando, a gente pensa que a vida é feita de pessoas. Pessoas que vem, e vão embora, que marcam a ferro e fogo, outras sequer um sorriso pode ser lembrado. Mesmo que tenha tido o tempo de não gostar de pessoas - e todo mundo tem esse tempo - hoje eu confesso que gosto de muitas delas. Umas, de maneira considerável, outras nem tanto.

São essas pessoas que, de forma direta ou não, ensinam a gente a viver. E a não viver. A aprender, e não aprender. A ganhar e a perder - pois sim, a partir do momento que homens não são árvores, eles são livres pra voltar pra casa. Ou pra buscar a sua, se caso ainda não tenham a encontrado. Aliás, gosto de gente que ainda procura sua casa!
De qualquer forma, cá estou eu depois de alguns meses correndo, pra lembrar. Lembrar pessoas. Agradecer, mandar um beijo, mandar a merda, tudo isso que as pessoas fazem umas com as outras, e que os livros ou filmes não conseguem. A não ser que tenham sido escrito por escritores. Ou filmes por diretores.


Um Louco que sai da caverna, é um Louco Apaixonado. Que ama e odeia. Ama porque não conhece, e odeia pelo mesmo motivo. Há muito tempo atrás, uma pessoa muito especial me disse que não se ama ou odeia as coisas. Mas só se aprende a lidar com elas, uma vez que são todas elas, ramos de um mesmo galho, caminhos de uma mesma encruzilhada. Mas como o Louco que sou, eu amo. E odeio. Amei o que essas pessoas me proporcionaram, se foram risadas, se foram beijos, se abraços, se horas e horas de dança, se bebedeiras, choros, confissões, momentos de conversas sérias. Se debates importantes, ou só se perguntas de como estava o tempo foram feitas. Amei, e amo.


Odiei ter me despedido. Prestado atenção nos pensamentos que contaram que muitas daquelas coisas jamais se repetiriam nessa vida. Odiei, por alguns instantes, odiar. Mas a vida é assim mesmo.


Quando vendi minha alma ao Diabo, ele me disse que a mesma moeda que compra é a que recebemos de volta. Mas eu continuo fazendo de conta que não presto atenção. Até mesmo porque, eu não banalizo a palavra "amor". E ao contrário de muitos, tampouco o faço com o "ódio". Quando digo que amo, é porque amo. Quando digo que odeio, é porque odeio. E odiar não é sinônimo de não-amar.


Sheli que foi, Jean que foi. A amizade da minha mãe que foi. Maurício que foi, e quem sabe um dia volta. A indiferença da minha família que está. Mirela que está, Marcia que está. Robson que chegou. Odeio, mas amo vocês antes de tudo.


"Hoje ao diabo,
se o eu não fosse,
me daria eu próprio."

- MEFISTÓFELES, de Goethe.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

- (sem) crise dos 20;



Essencialmente, pra manter a tradição no terceiro ano. Duas décadas de vida, número redondo. 2+0= 2, no tarot, a compreensão da ambiguidade e complementação.

Chega um momento na vida que a gente aprende que há coisas que não mudam. Quando se faz 15 anos, a gente quer mudar o mundo porque não o aceita. Quando se faz 20, a gente aprende a lidar com esse mundo. Mesmo não o aceitando.

Talvez o que era fogo de palha acabou terminando como tal. E o que era só uma porta aberta se tornou o começo de uma longa e difícil caminhada. Hoje descubro que muitas vezes estive errado, pensei errado e agi errado. Mesmo sabendo que o conceito de "errado" é muito relativo. Hoje entendo e não compreendo muitas coisas. Entendo que minha mãe nunca vai deixar de acreditar que um dia vou casar e dar filhos à ela. Que alguns amigos continuam com seus vícios e virtudes independente do que eu diga ou o que eu faça. Que eu não posso mudar o mundo que descobri quando tinha 15 anos. Mas posso escolher o que é bom e construtivo para minha vida. Hoje entendo que algumas pessoas não dão a mínima para você. Outras, se importam demais - e quando isso acontece, é porque suas vidas não são tão importantes quanto queriam.

Hoje entendo que não existem pessoas ou atitudes boas e más. Mas pessoas que são construtivas e descartáveis no seu caminho. Que a vida é cruel, que o homem é mentiroso, a mulher falsa, a família hipócrita, o vizinho infeliz, um Estado corrupto e um mundo sujo. E que, ao mesmo tempo, também existem pessoas que te fazem crescer só com um olhar. Que o sol é lindo, e quando ele se deita fica ainda mais bonito. Que existe caridade, compaixão, amor, honestidade e segurança. Que o incenso vai queimar sempre que eu precisar, que as velas também o farão até o fim, sempre que for necessário. Que os deuses são cruéis e maravilhosos. Porque eles são o humano e a humanidade. Hoje entendo como Roma caiu...

...mas não compreendo. Aliás, compreendo pouco, ou quase nada, disso tudo que escrevi.

Ainda sou um Louco, em um caminho (des)conhecido.

Feliz aniversário para mim.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

- sobre (um) amor;


Não acredito que exista um amor para a vida toda. Não para a minha, pelo menos. Acredito que possamos ter muitos amores da vida, e é esse o momento em que eu conheci UM e não O amor da minha vida.

Pode ser que o tempo seja pouco demais, pode ser que tudo isso se desfaça como a fumaça de um incenso no vento daqui a alguns anos. Mas eu tenho aprendido – e agradecido aos meus deuses por isso – que amar é algo um pouco mais complexo do que o filho de uma deusa virgem poderia pensar.

Obrigado por me acordar de manhã com um calor excitado, e por deixar ser acordado pelo meu calor excitado. Obrigado por cozinhar pra mim, por cantar e dançar comigo e para mim. Obrigado pelo primeiro sorriso ao descer do ônibus, depois de ter enfrentado horas de viagem. Obrigado por me contar os seus segredos, obrigado por ouvir os meus. Obrigado por ouvir o que as cartas disseram, obrigado pelas luzes das velas e dos incensos. Obrigado pela pizza, pelo sono, pela chuva de manhã, por ter colocado o sinto de segurança no meio do temporal. Obrigado pela xícara e pelo chocolate com licor que tu não gostou. Obrigado pelas horas e horas de sexo, uma mais prazerosa que a outra, pela água quente do chuveiro, pelo travesseiro, pela porta fechada, por tudo. Obrigado pelos pastéis, por não gostar nem do vinho nem do gosto de álcool da minha boca. Obrigado por ser meu amigo, obrigado por acreditar nos mesmos deuses que eu. Obrigado pelo abraço de despedida no final de tudo isso. E por também entender que nada disso vai ser apagado...

...como um incenso ao vento.

"(...)o puro Adônis canta tua divindade;

venha, toda atrativa, para a minha prece inclinada,
a Ti eu chamo, com mente sagrada e reverente."
(Hino Órfico à Vênus)

sexta-feira, 31 de julho de 2009

- o vento curvado;


Porque é tudo uma questão de tempo. Pelo menos pra mim, é fato que a vida dança sua própria sincronia, mesmo que por vezes sejamos forçados a tentar, e tão somente tentar, amarrar os fios do vento.

Abençoados sejam pelos fios do inverno que ainda são trançados por Diana.


Balança o vento sobre meu corpo,
E mesmo que ele não tivesse tapado
O Sol que continua brilhando,
A chuva me deixa ainda cansado.

O vento continua balançando,
Como a serpente enroscada,
Onde deixa cair seus frutos
Da árvore assim sufocada.

Pode ser que eles não entendam,
Ou mesmo não queiram ouvir -
mas o Círculo foi traçado,
E o Antigo nome, como sempre, chamado.

E um dia entendi.
Que pela cera derretida, a vela apagou.
E a fogueira, pela lenha acabada.
Nunca pelo vento que dançou.

segunda-feira, 23 de março de 2009

- quando a Beleza é lembrada;

Porque há coisas nessa vida em que não é possível passar do limite dos olhos às linhas do papel. Fiz o que as Musas me permitiram, que os deuses deitem os olhos àqueles que encontraram Essa beleza....

Ah, Beleza!
Que meu pensamento faz perecer
E, de jeito difícil,
O pergaminho me deixa escrever.

Hoje descubro,
Que feliz é o homem -
O homem que sou -
Que é o que é a beleza finalmente lembrou...

Tão linda é a fumaça,
Quando misturada as velas -
Que o mesmo fogo acendeu -
E na Escuridão se reviveu.

Ou igualmente é a estrela,
Que brilha, ao Norte,
Como o Altar que guardou
A taça e o punhal bem forte!

Tão lisas são as maçãs,
Que à Mãe são ofertadas -
Pelo caldeirão que as comportam
Quando o suor lhe escorre, pelas beiradas...

Tão belo é o Silêncio,
Que mais alto que todos os cantos
Confessam ao meu Espírito:
- A Ti eu danço, Diana, nunca em prantos...

E quando não as brancas conchas,
Refletem a cera caída -
Que de tão longe elas vieram -
Como aquelas lágrimas, que já não desceram.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

- sobre a liberdade;


Meu avô sempre disse que ser livre é saber arcar com as próprias conseqüências, que ser maduro é ser capaz de compreender e colher, no final do dia, aquilo que semeamos quando o sol se pôs a nascer. E mesmo que ele fosse cristão – e ele não tinha razão em muitas coisas pra mim, isso eu jamais esqueci.

Semana passada fiz algo que sempre tive vontade. Na verdade nunca desejei exatamente isso, mas a sensação de fazê-lo – e aquilo que me proporcionou sentir – era algo que esperei por muito tempo. Algo que, acredito, continuo ainda a desejar, pois o dia que não querer mais ser livre, prefiro que os Deuses deitem meus olhos para essa vida.

Uma vontade louca de sentir o mar, o sal, pisar na areia branca, ouvir o bater infinito das ondas, sentir o vento roçar no meu rosto... sumir. Peguei minha mochila, coloquei algumas roupas e um pouco de comida, e finalmente fui. Fui buscar aquilo que tinha vontade, fui buscar sentir o mar de novo. O mar. Que saudade.

Não conhecer a cidade, não saber onde dormir ou onde ficar não foi empecilho algum. Pois quando o homem busca algo, deve encontrá-lo, independente de quantas vão ser as curvas do seu caminho ou as pedras a bater nos seus pés.

Naturalmente, foi maravilhoso. Sobre a liberdade, descobri que é algo muito mais complexo do que se ajoelhar na areia e sentir o gosto do vento. Que falar coisas bonitas, que usar metáforas ou se banhar de eufemismo quando se quer, é simplesmente, largar tudo pra cima e desaparecer.

Os pássaros não são livres porque voam, mas porque certa vez, saíram do ninho e aprenderam que um dia vão cair. Muitas vezes.

E lógico, ser livre é agüentar, por alguns dias, uma queimadura nas costas por não ter passado protetor solar – ou por ter, no dia anterior a viagem, ter usado o fogo dentro de um Círculo pedindo que fizesse sol no fim de semana. O pior é que fez. Bastante. Minhas costas vermelhas que o digam.

sábado, 17 de janeiro de 2009

- outono em verão;


Pode ser que em noites de lua fria, ou em dias em que o aroma dos incensos nao foram misturados ao vento, que um certo homem morra. E que talvez nem se dê conta de que a Roda Eterna continua a girar, que as folhas podem cair para servir de alimento aos vermes.

São os homens coitados -
Que, findos -
São como as folhas de uma árvore,
Que caem (deitados).

Mas como as folhas -
As folhas de uma macieira -
Nem todos são enterrados
Para que possam nascer à beira.

Nem todos eles
De Perséfone recebem o toque.
Tampouco em suas águas
Se vão a esquecer suas mágoas.

Que definham e findam.
Como a chama das fogueiras
(E a dos lábios, por que não?)
Que morrem, como o fogo ao chão!

Outrora coração apertado,
Gozo efêmero, então.
Que goza as delícias da noite
Para apertar de novo o coração.

Mas como as folhas -
As folhas de uma macieira -
Nem todos são enterrados
Para que possam nascer à beira...

... À beira de um rio,
Cujas margens, às espreitas,
De lágrimas foram feitas.

sábado, 3 de janeiro de 2009

- de novo;

"Ah! ainda: danço o sabá numa clareira rubra, com velhas e crianças."
Rimbaud.

Hoje posso ver que é natural que as coisass mudem. Que se transformem, que passem à outras esferas - coisa que não precise ser, necessariamente, chamada "evolução" - e observar, também, que a ciência desse processo não faz necessariamente diminuir os impactos que esse pode nos causar.

Semana passada morreram meus girassóis, essa semana acabou o ano, meus deuses. E há muito tempo nós já somos ensinados que não há luz sem sombras, que a perda existe para que demos valor ao ganho - mas isso tudo ainda é difícil de lidar - e são poucos os que sabem como é chato ter de descer aos infernos de vez em quando.

A vida gira, as pessoas vem a vão. Assim como nossos sonhos, assim como nossas frustrações. E é bom que eu veja isso, me lembra que sou um homem vivo, que choro à dores antigas, que sorrio à novas alegrias, que as vezes sou o herói que volta à sua morada com a conquista dos deuses, mas que por vezes sou este mesmo herói que aperta os dedos ao se deparar com a estrada que se abre a minha frente, onde deixo pra trás os olhos fechados.

Obrigado.

Mais um ano se passou, e ainda vejo que são poucas as coisas que tenho comigo, a não ser alguns livros que insisto em guardar, algumas velas e incensos, e outras muitas lembranças. Essas últimas, que mesmo que não queira, vão me acompanhar até o dia em que o herói voltar à urbe onde nascera. E plantar os girassóis que outrora morreram.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

- ao Sol que não se deitava;


Porque todo o homem, certa feita na vida, corre atrás de um Sol que nunca se põe. Talvez pelo medo da noite fria, talvez pela esperança de que o dia quente nunca se vá. Seja por qual for o motivo, todos, certa feita, o fazem.

Era uma vez um homem,
Cujo andar sempre descalço,
Um caminho há muito trilhava -
Um caminho cujo final jamais chegava.

Os céus que pairavam sua fronte
Eram sempre rosados, pois,
Tão bela Aurora não lhe despedia,
e tampouco Febo ou Diana lhes bendizia.

Caminhava, caminhava,
e o vento aos seus lábios dançavam.
Caminhava, caminhava,
Seus dedos não se encontravam.

Procurava um Sol sempre nascente,
Pois seus sonhos nunca o deixavam só.
Subia tantas as montanhas, e descia-as depois -
Sem jamais olhar como a mulher de Ló.

Enquanto o calor dos céus e do Sol (que nasciam) -
Murmurava orações que lhe ensinara sua avó -
Porque banhados dessa luz aqueles olhos se faziam.

E acredita-se, que o homem tivera medo.
Medo de suas próprias sombras,
E por isso caminhava sob aquele Sol,
Sem jamais ver do mar, as ondas.

Caminhava, caminhava.
E Febo ou Diana sequer lhes cumprimentavam.
Caminhava, caminhava.
Talvez não compreendessem, as asas que o acompanhavam,

Que tudo que um dia nasceu,
Encontraria a noite em que morreu.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

- sobre o exemplo;


"Porque és eternamente responsável por aquele que cativas"
(Exupéry, o Pequeno Príncipe).

Um fardo, uma benção, um sorriso, uma lembrança. O ser humano vive em sociedade, e suas relações são (in)felizmente necessárias e mesmo importantes para dar continuidade as nossas andanças da vida. Pelo menos é o que eu tenho visto até agora. E Cronos também.

Lembro, sim, das vezes em que em trovoadas soavam dentro da minha própria casa, de quando me falavam que eu não podia me isolar do mundo, que as pessoas tem de ser sociáveis (e tem mesmo? acho que não argumentaram e me pergunto ainda hoje) e que minhas ações refletiam nos olhos daqueles que me amavam. Amavam.

Talvez seja o ser humano, quando demasiado humano (e Nietzsche há de concordar comigo) é realmente egoísta. O ser humano quando ama é egoísta, não existe amor verdadeiro - quando se entende esse último pela utopia fictícia da doação por completo. O que não é, naturalmente, uma imperfeição ou um erro, pois esse mesmo ser humano procura e tem necessidade de sua dependência dos semelhantes. Reciprocamente.

O que ele esquece (e faz questão de esquecer) é que há um preço a ser pago por essas relações. A do cansaço, a do ócio, a da repulsa e por aí vai. O que algumas vezes solidifica um caminho e cultiva uma amizade, se transforma, com o tempo, e junto as ferrugens das correntes que se arrastam do lado, ao cansaço e fadiga.

Já não sei, meus deuses, até que ponto eu ainda quero ser um exemplo. Pois sim, a questão do exemplo é mesmo complicada. E disso eu sei porque fui o neto mais velho, o filho mais e velho e a mais velha decepção também.

Se nem os deuses são perfeitos, por que nossos amores têm de ser?

Vai saber.

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

- [de novo uma] crise [mas dessa vez] dos 19;


As pessoas caminham em suas próprias estradas. Mas isso, de forma alguma, quer dizer que são elas próprias que constroem seus próprios caminhos, totalmente dependentes da sua vontade e destino consciente.

Pode ser que as curvas e os caminhos sejam tão imprevisíveis que sequer imaginemos o que pode vir adiante nossos olhos daqui há um dia, um mês ou uma vida. Aliás, pode ser, não. De fato as coisas são assim. Quando crianças temos uma visão de mundo onde as coisas são boas e bonitas, mas quando crescemos, perdemos aquilo que só os infantes têm e nos tornamos algo que nem nós mesmos conhecemos. Talvez o ser humano porta em sua essência algo que ele só vem a conhecer com o passar do tempo; pode ser que ele seja corrompido pelo mundo sujo e pessoas sujas que o envolvem.

De qualquer forma, caminhos podem andar em círculos e em linha reta, sem nunca deixar de serem caminhos. Nesse meu, acredito que nunca tive um exemplo a ser seguido. Tão somente tive diante de mim, por muitos anos da minha vida, algo que justamente não queria me tornar. Mas o tempo passa e me assusto com a possibilidade de vir a se assemelhar aos meus pesadelos.

O fim do inverno vai chegando, o Sol e o calor da primavera vêm se aproximando. As noites frias com o passar dessas próprias noites vão se afastando, e os deuses bem sabem disso. Minha esperança de um homem pagão é a mesma daqueles que dançavam as fogueiras dos tempos idos (as de verdade, dos altos das colinas onde se passavam o gado vindouro): a de que a chama do fogo purifique nossas vidas e que o Sol possa brilhar mais forte após uma tempestade. Uma fria tempestade.

E que, naturalmente, o sacrifício das colheitas (e da decisão daqueles caminhos que tomamos e nem temos tempos de saber que o fazemos) chegue aos bons deuses que eu tanto amo. Que o brilho dEla e a força dEle abracem meu espírito e me guiem nos estranhos caminhos que a vida guarda para nós, pobres mortais.

E me desculpem pela falta de assiduidade no blog, caminhos andam se cruzando e acho que ando trazendo coisas demais às costas. Tantas delas, que me vou indo devagar, quase parando. Acho que é tempo de tirar algumas pedras do sapato, limpar a poeira da camisa e o suor da testa.

sábado, 31 de maio de 2008

- a não-inexorabilidade da vida;



Do latim inexorabile, austero, implacável.

Muitas vezes somos levados a pensar, pela empolgação ou mesmo pela inocência que vive a nos alimentar a sonhos e utopias, a pensar que a vida é inexorável e que não vai mudar nunca. Levados pelo desejo ou mesmo pelo pessimismo de que tudo vai continuar sempre como está e que não adianta lutar ou tentar mudar o rumo das coisas, muitas e muitas vezes, ficamos com medo ao ver que as coisas não funcionam necessariamente assim.

O medo é um sentimento inerente do ser humano, é uma vivência arquetípica, de fato. Mas lidar com ele é algo que nem sempre estamos preparados a ver e enfrentar. Aliás, ele sempre aparece [o medo] quando menos se espera. Logo, impossível levantar as armaduras contra esse.

Há algum tempo atrás acreditava que estava tudo planejado na minha vida. Conseguir um emprego, começar e terminar minha faculdade, juntar dinheiro, ir embora e comprar minha casa pra viver uma vida normal. A vida era, até então, inexorável (ao menos no meu mundo imaginário) mas aconteceu que – pasmem! – descobri que nem sempre as coisas funcionam de uma maneira predeterminada.

Sempre disse que se soubéssemos de tudo que iria acontecer, previamente, a vida não teria graça. Graça no sentido de importância, é claro. Mas falar é fácil. Difícil é conhecer um macaco que olha para o próprio rabo. Acho que a lição não se aplicou a mim – e quando vi que todos esses sonhos ruíram para dar espaço a outros, um pouco mais ousados (alguns dirão maduros, eu não me arriscaria a tanto!) fiquei surpreso e quase imóvel. Só não imóvel porque deu vontade de correr – correr atrás do que eu vi [os novos sonhos].

Enfim, o Mistério de que a vida é um ciclo, que nada é inexorável e que a Roda está sempre girando e nossos sonhos andando em uma verdadeira espiral, pode parecer um pouco mais profundo que algumas palavras simbólicas e aleatórias que poderiam, aparentemente, explicar isso. Assim, um pouco mais difícil de viver e aprender. Aprender para renascer, logo depois de morrer mais uma vez.


*Uma estrelinha na testa de quem gosta da palavra inexorável.

quinta-feira, 24 de abril de 2008

- entre homens;


Não há nada, e eu te digo -
Ah, não há! -
Do que ver aquele que o completa,
E senti-lo, com a chama, que (ainda) o fará.

Corpo que toca teu corpo
Dançam a mesma sinfonia,
(músculos em comum)
As mãos se apertam, os olhos se olham (e não assim que o ia?)

Só sabe o que tu sente,
Aquele que já o sentiu.
Corpos em comum -
Corpos conhecidos. mesmo aquele que já partiu.

O Mistério?
Nos braços fortes que se cruzam (e que puderam morrer)
Nos iguais beijos (ainda mais fortes)
Ou nos olhares suaves - que o fazem correr.

Um homem o sente -
Pois já o sentiu, o coração,
E só um homem para entender um outro -
Pois o é seu irmão.

Os olhos que viram as lanças -
Que cruzaram corpos, findos,
Também se cruzaram -
Entre eles, unidos.

As mãos que já domaram um mesmo cavalo
Também já empunharam uma flor.
Mãos, essas, se entrelaçam de novo -
Pois se conhecem - conhecem, de todo, seu fervor.

Um homem o sente -
Pois já o sentiu, o coração,
E só um homem para entender um outro -
Pois o é seu irmão.

Degladiaram-se (e não?)
Com pernas (e falos) duros e fortes,
Ou cantados às ofertas das Bacantes
Cantaram ao Sol, aos seus irmãos e suas Mortes...

... Pois também são seus filhos infantes.

Voltam de novo, braços e abraços,
Nem sempre tão fortes em suas andanças.
Porque homens, e homens,
Nunca deixam de ser crianças.

Se o foram, quando os olhos se tocaram,
Bebendo da mesma fonte.
Ou as mãos se entreolharam,
Cantando do mesmo adágio.

Pois só um homem para encontrar um outro -
E não é seu irmão?

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terça-feira, 25 de março de 2008

- "erro no donwload" e outras "aspas";


É, de fato, engraçada, a necessidade do homem em deter o conhecimento e a sabedoria que não lhe pertence exclusivamente, uma vez que está ele no poder... Mas nada de mais esperado em um povo onde as pessoas matam serviço para olhar o final do Big Brother e copiar o corte da cabelo da atriz da novela das 20hrs!


De fato, sociedades secretas foram formadas na Idade Média a fim de propagar, sob as sombras, a erudição e a intelectualidade que seria demasiado banalizada se caísse aos olhos e ouvidos profanos da alienação da maioria...

Naturalmente, assim como alguns romanos alimentavam espetaculares degladiadores que devoravam-se entre si, pelas paredes de um Coliseu e que formavam o principal foco da atenção (e a desviava de assuntos que deveras mais sérios) daquele povo das urbes...

Na Idade Média, o "poder" e o "conhecimento" fez com que uma Instituição religiosa moldasse uma imagem de um ser demoníaco, um bode expiatório, um "diabo", que serviu para aliviar as tenções de toda uma sociedade frustrada e ignorante... De aliviar o peso das costas de um corpo já bastante cansado! E esse mesmo conhecimento "poderoso" encontrou o canal de que precisavam a fim de compensar a infelicidade econômica e espiritual que alimentavam aqueles homens e mulheres medievais. As pessoas tinham demasiado medo do inferno e do demônio para buscar as respostas que os intelectuais e religiosos não podiam dar.

E para continuarmos atualizados, "erro no donwload!" é a mensagem que surpreendeu, semana passada, os olhos daqueles cubanos que visitavam o blog da escritora Yoani Sánchez que escrevia sobre restrições políticas e licenciada em linguística em Cuba... Ah, "erro no download!"...

Pois bem, "saber" e "poder" sempre andaram lado a lado, e continuam a fazê-lo ainda hoje. E certamente continuará assim após os anos e anos que vão se passar por nossos olhos... Uma pena que nem todos sabem o que fazer com o conhecimento "útil" (seja esse de onde for) que adquirem.

Intelecto, conhecimento, poder: d
e que serve isso tudo se não os usamos para conseguir ainda mais um e outro desses três?

Com certeza que, para ao menos uma coisa, servirá: criar uma mensagem um pouco mais criativa que "erro no download!"...
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