Entre alguns povos antigos, isolados, ou reunidos aos montes, festejava-se agora algo que chamou-se Lughnasadh, ou mesmo Lammas atribúido de certo significado cristão. Reconhecia-se o calor do Sol, os trigais eram abençoados pelas danças e pelos ventos. Mas antes de serem abençodas aquelas colheitas, reconheciam-se as bençãos daqueles próprios homens e mulheres que dançavam aquelas festas, abençoando-se entre si.
O que é aparentemente bobo, ou carente de qualquer lógica intelectual, pode desfazer-se como tal, rapidamente como uma vela queimando ao vento, a partir do momento em que pensamos com mais calma sobre a verdadeira motivação que leva grupos de seres humanos a dançar a um sol e agradecer por ramos de trigo crescendo as alturas. Afinal, 'pagão' sempre foi o nome daquele que era ignorante e selvagem. Será que ninguém até hoje se perguntou porque tal nomenclatura ainda é adotada entre praticantes que entendem sobre aquecimento global, lêem Shakespeare e conversam pelo computador?
Sinto muito contrariar aos evolucionistas históricos, ou mesmo aos espíritas, mas não consigo acreditar em uma noção de 'evolução' da humanidade. Não consigo perceber uma linha acsendente de inteligência quando me coloco a analisar as pessoas - e acreditem, isso nada tem a ver com a péssima formação do meu lado esquerdo do cérebro.
É engraçado como nunca nos damos conta daquilo que temos. Talvez se reconheça o valor material, como é bom possuir materialmente algo que os outros não tem; como é bom ser o que os outros não são; ou, melhor ainda, como é bom saber o que os outros não podem conhecer... mas qual o objetivo ou motivo? Porque o ser humano já não agradece ao sol por aquilo que ele dá? Seria por uma independência teológica, onde já não achamos que precisamos de deus ou deuses pra nos fornecer o que é prceciso? É provavel que sim, afinal, quase ninguém ainda precisa orar pra que seus campos sejam férteis, é só correr ao mercadinho da esquina e comprar um miojo ou uma traquinas e está tudo resolvido.
Mas acreditem meus caros, sem o Sol nenhuma colheita seria possível. E aqui já não falo mais da esfera material dos nossos dias, é evidente que sem o astro-rei nenhuma vida poderia existir. Mas falo dos sonhos, esperanças e Amores que incentivam qualquer que seja o mortal a seguir seus dias em frente. Quando um devoto tenta reconhecer o papel que um Sol pode ter em sua vida ele compreende que tudo começa com desejo e Amor, tal como um sol que é luz e calor. Depois disso, do trabalho árduo de plantar, regar e cuidar - e tentem pensar que essa é a parte mais difícil - quando vem a colheita de tudo aquilo que foi um sonho anteriormente. Da mesma forma que já deu tempo da tempestade acontecer, e destruir, pelo granizo, tudo que era velho, podre e fraco o suficiente pra não prosperar no final do verão.
Ah, bons tempos de pagãos e ignorantes em que era possível reconhecer que tudo tem o seu tempo certo, de plantar e colher, de construir e de destruir. E que nada foge à esse ciclo.










